16.10.07

RESUMO: Apologistas

Recebem esta denominação os pensadores cristãos dos séculos II e III d.C., que se dedicavam à tarefa de escrever apologias do cristianismo. Era preciso, nessa época, defender a nascente doutrina cristã de três correntes distintas que lhe faziam oposição: a religião judaica, o Estado romano e a filosofia pagã. Contra os judeus, era necessário afirmar argumentativamente o messianismo de Jesus Cristo. Contra os romanos, era preciso convencer o imperador do direito de legalização à prática do cristianismo dentro do Império. E contra os filósofos pagãos, a tarefa dos apologistas era a de apresentar a religião cristã como uma verdade total, à diferença dos erros ou verdades parciais presentes, segundo estes autores, na filosofia helenística.

2.10.07

REFUTAÇÃO DOS APOLOGISTAS CONTRA OS PAGÃOS - Séc II

ARGUMENTOS DOS PAGÃOS CONTRA O CRISTIANISMO

A doutrina da ressurreição é absurda

RESPOSTAS DOS APOLOGISTAS

Os Evangelhos mencionam testemunhas oculares

O efeito sobre os discípulos foi profundo

Existe analogia nos ciclos da natureza (ex: estações do ano).

ARGUMENTOS DOS PAGÃOS

Há contradições nas Escrituras

RESPOSTAS DOS APOLOGISTAS

Harmonias como o Diatessaron, de Ticiano, esclarecem contradições

ARGUMENTOS PAGÃOS

O ateísmo conta com ampla aceitação

RESPOSTAS DOS APOLOGISTAS

Mesmo Platão acreditava num deus invisível

ARGUMENTOS PAGÃOS

O cristianismo é a adoração de um criminoso crucificado

RESPOSTAS DOS APOLOGISTAS

A condenação de Jeus violou a lei

ARGUMENTOS PAGÃOS

O cristianismo é uma novidade

RESPOSTAS DOS APOLOGISTAS

O cristianismo vem sendo preparado desde a eternidade

Moisés antecedeu os filósofos pagãos

ARGUMENTOS PAGÃOS

O cristianismo evidencia uma falta de patriotismo

RESPOSTAS DOS APOLOGISTAS

Os cristãos obedecem a todas as leis, desde que não violem a consciência

ARGUMENTOS PAGÃOS

Os cristãos praticam incesto e canibalismo

RESPOSTAS DOS APOLOGISTAS

Observe o estilo de vida dos mártires

ARGUMENTOS PAGÃOS

O cristianismo leva à destruição da sociedade

RESPOSTAS DOS APOLOGISTAS

As calamidades naturais de fato representam o juízo divino contra a idolatria


ARGUMENTOS DOS APOLGISTAS CONTRA O PAGANISMO

Os filósofos pagãos cometeram plágio, roubando suas melhores idéias de Moisés e de outros profetas

O politeísmo é um absurdo filosófico e uma decadência moral

Os filósofos pagãos contradizem uns aos outros e até a si próprios


Fonte: História da Igreja em Quadros - Ed Vida/ Imagem: Símbolo pagão oculto gravado numa pedra.

REFUTAÇÃO DOS APOLOGISTAS CONTRA O JUDAÍSMO - Séc II


Os judeus dos primeiros séculos diziam:

"O cristianismo é um desvio do judaísmo".


Resposta dos apologistas:


A lei judaica é temporária por definição e encaminha para a nova aliança.


Os judeus diziam:


"O humilde carpinteiro morto numa cruz não corresponde ao Messias profetizado no AT."


Resposta dos apologistas:


O AT predisse o sofrimento e também a glorificação do Messias.


Os judeus diziam:


"A divindade de Cristo vai de encontro à unidade de Deus."


Os apologistas diziam:


O AT deixa prever a pluralidade de pessoas dentro da unidade da deidade.




OS ARGUMENTOS DOS APOLOGISTAS CONTRA O JUDAÍSMO:


As profecias do AT foram cumpridas em Cristo

Os tipos (ritos e símbolos) do AT apontam para Cristo.

A destruição de Jerusalém confirma a visão de que Deus condenou o judaísmo e apoiou o cristianismo.




Fonte: História da Igreja em Quadros - Ed. Vida./Imagem: Ruínas de uma sinagoga judaica em Cafarnaum.

29.9.07

UMA VISÃO GERAL DA HISTÓRIA DA IGREJA

Embora seja, em certa medida, artificial e errado quebrar a história da igreja Cristã em distintos períodos ou épocas, é, todavia, uma ferramenta útil para visualizar o desenvolvimento da vida da igreja nos dois milênios passados. A maioria dos historiadores da igreja reconhece três períodos gerais:


I. Cristianismo Patrístico - 95 d.C. a 590 d.C.

(Assim chamado por causa da influência dominante, tanto sobre a vida como sobre o pensamento, dos Pais da Igreja)



II. Cristianismo Medieval – 590 d.C. a 1517 d.C.

(Este período foi chamado primeiramente de Idade Média por Christopher Keller [1634-80])



III. Cristianismo Moderno - 1517 d.C. até o presente

(O grande momento decisivo na história da igreja foi a Reforma Protestante, inaugurada por Martinho Lutero em 31 de outubro de 1517)



É útil subdividir cada um destes períodos gerais em fases mais descritivas:



I. Cristianismo Patrístico - 95 d.C. a 590 d.C.

a. A Idade das Apologéticas – este período data desde 95 d.C., geralmente considerado como o ano quando o último livro do cânon do Novo Testamento (Apocalipse) foi escrito, até 325 d.C. e o Concílio de Nicéia. Alguns preferem 312 d.C., o ano em que Constantino se converteu ao Cristianismo. O Edito de Milão, em 313 d.C., pôs fim efetivamente à perseguição da igreja como um movimento minoritário e concedeu-lhe um status legal pleno, para ser igualmente tolerada com todas as outras religiões. Durante este período, a igreja se esforçou para se defender contra as ameaças do paganismo, tanto politicamente como teologicamente.

b. A Idade das Polêmicas – de 325 d.C. até o aparecimento de Gregório (o último dos Pais da Igreja e o primeiro dos verdadeiros Papas), em 590 d.C. Seguindo a conversão de Constantino, a igreja “se moveu rapidamente da solidão das catacumbas ao prestígio dos palácios” ( Shelley ). Com o poder do Estado ao seu favor, a igreja começou a exercer sua influência moral sobre a sociedade como um todo. Com prestígio e influência política, contudo, veio também a corrupção interna. O Monasticismo emergiu em protesto desta secularização da fé. Em 392, o imperador Teodósio I estabeleceu o Cristianismo como a única religião legal do Império Romano. Foi durante este período também que as maiores controvérsias doutrinárias foram travas e resolvidas em concílios teológicos sancionados pelo Estado.



II. Cristianismo Medieval – 590 d.C. a 1517 d.C.

a. A Idade da Hierarquia Papal ­ desde Gregório o Grande (590) até a divisão entre Oriente e Ocidente (1054), ou até Gregório VII (1073). A principal característica desta época, freqüentemente referida (talvez sem justificação) como Idade das Trevas , foi o estabelecimento e solidificação do poder da hierarquia papal Católica Romana.

b. A Idade do Escolasticismo ou Sistematização - de 1054/1073 até o começo da Reforma Protestante em 1517. Durante este período, a doutrina cristã foi totalmente sistematizada através da filosofia e teologia dos sacerdotes, tais como Anselmo(1033-1109), Peter Abelard (1142), Hugo de São Vítor, Peter Lombard, Alberto o Grande, Duns Scotus, alcançando seu zênite na obra monumental de São Tomás de Aquino (1225-74), cuja teologia (chamada Tomismo ) foi declarada eternamente válida para o Catolicismo em 1879.

[Foi também durante este período que a igreja Oriental se dividiu da Romana (1054)]



III. Cristianismo Moderno - 1517 d.C. até o presente

a. A Idade da Reforma Protestante e do Confissionalismo Polêmico – da postagem de Martinho Lutero das 95 teses (1517) até a Paz de Westphalia (1648-50). Este período testemunhou o triunfo da Reforma Protestante na Europa (com o florescimento das quatro maiores tradições do Protestantismo antigo: Luterana, Reformada, Anabatista e Anglicana), bem como a reação de Roma na Contra-Reforma Católica e a influência dos Jesuítas. O século XVII foi caracterizado pelo desenvolvimento do escolasticismo e da ortodoxia credal. Movimentos reacionários e reavivalistas emergiram nos últimos estágios deste período, parcialmente em oposição à aparente estagnação que se estabeleceu no meio de muito do Protestantismo.

b. A Idade do Racionalismo e do Reavivamento ­– de 1650 à Revolução Francesa (1789). Também conhecida como a Idade da Razão, visto que a ciência substituiu a crença no sobrenatural, à medida que a igreja ficou debaixo da influência poderosa do Iluminismo (no qual a razão era estimada acima da revelação). Os grandes movimentos de reavivamento na Inglaterra (os Wesleys) e na América (Edwards e Whitefield) foram a melhor defesa da igreja contra a invasão do humanismo.

c. A Idade do Progresso – de 1789 até a Primeira Guerra Mundial (1914). Os primeiros anos deste período foram caracterizados pela reviravolta política (as Revoluções Americana [1776] e Francesa [1789]) e pela transformação social (a Revolução Industrial). A emersão da alta crítica Alemã e a publicação da Origem das Espécies de Darwin ativaram uma filosofia que ameaçava minar os fundamentos da ortodoxia. Foi durante os últimos estágios deste período que vemos a emersão do que é conhecido como um liberalismo teológico moderno.

d. A Idade das Ideologias – de 1914 (Primeira Guerra Mundial) até os dias de hoje. Durante este período a pletora de novos deuses se levantou para competir pela fidelidade da mente secular. Comunismo, Nazismo, Facismo, liberalismo teológico (que foi desafiado pela reação da neo-ortodoxia Bartiniana), socialismo, ecumenismo, individualismo, humanismo estão entre as ideologias mais competitivas. A igreja respondeu a este assim chamado modernismo com os seus próprios ismos , Fundamentalismo, e finalmente o mais intelectualmente sofisticado e culturalmente engajado Evangelicalismo. Outros desenvolvimentos dignos de nota foram o Denominacionalismo e o movimento Pentecostal/Carismático.



Fonte: Artigo de Sam Storms, traduzido por Felipe Sabino, extraído do site Monergismo.com - http://www.monergismo.com/textos/historia/historia_visao_geral.htm

24.9.07

Entenda Um Pouco Mais Sobre o Período dos Pais da Igreja

COMO DIVIDIR O PERÍODO?

Podemos dividir os Pais da Igreja em três grandes grupos a saber: Pais apostólicos, Apologistas e Polemistas. Todavia devemos levar em conta que muitos deles pode se enquadrar em mais de um desses grupos devido a vasta literatura que produziram para a edificação e defesa do Cristianismo, e também de acordo com o que as circunstancias exigiam, como é o caso de Tertuliano, considerado o pai da teologia latina. Sendo assim então temos:

Pais apostólicos: Foram aqueles que tiveram relação mais ou menos direta com os apóstolos e escreveram para a edificação da Igreja, geralmente entre o primeiro e segundo século. Os mais importantes destes foram, Clemente de Roma, Inácio de Antioquia, Papias e Policarpo.

Apologistas: Foram aqueles que empregaram todas suas habilidades literárias em defesa do Cristianismo perante a perseguição do Estado. Geralmente este grupo se situa no segundo século e os mais proeminentes entre eles foram: Tertuliano, Justino, o mártir, Teófilo, Aristides e outros.

Polemistas: Os pais desse grupo não mediram esforços para defender a fé cristã das falsas doutrinas surgidas fora e dentro da Igreja. Geralmente estão situados no terceiro século. Os mais destacados entre eles foram: Irineu, Tertuliano, Cipriano e Origenes.



Fonte: CACP - João Flavio Martinez.

18.9.07

OS APOLOGISTAS DO SÉCULO II


Apologia significa “DEFESA”. Os apologistas foram homens que procuraram defender a fé cristã diante de algumas acusações. As acusações eram afirmações de que o cristianismo era composto de pessoas ignorantes, que era copiado dos grandes sábios, como Platão (ao ensinar a imortalidade da alma) e assim mesmo deturpado como no caso da “absurda” doutrina da ressurreição. Diante de tais acusações, levantaram-se os Apologistas para defender a Fé Cristã, especialmente contra o judaísmo, a filosofia pagã e as religiões pagãs.

Segue a lista mais comum dos apologistas do segundo século:


QUADRATO (início do séc. II).

LUGAR DE MINISTÉRIO: Atenas.

ESCRITOS: Apologia (documento-texto perdido, apenas citado por Eusébio).
FATOS NOTÁVEIS:

  • Foi bispo de Atenas.

  • Sua apologia se dirigia ao imperador Adriano.

  • Contrapõe o cristianismo ao judaísmo e ao culto pagão.


ARISTIDES (início do séc. II).

LUGAR DE MINISTÉRIO: Atenas.

ESCRITOS: Apologia (perdido).

FATOS NOTÁVEIS:

  • Sua apologia se dirigia ao imperador Adriano.

  • Mostra forte influência paulina.

  • Posto que a apologia de Quadrato, de que nos fala o historiador Eusébio, parece ter se perdido, a mais antiga apologia que temos é a de Aristides.

JUSTINO, MÁRTIR (100-165).

LUGARES DE MINISTÉRIO: Palestina, Éfeso e Roma.

ESCRITOS:

  • Primeira Apologia;

  • Segunda Apologia;

  • Diálogo com o Judeu Trifon;

  • Contra Heresias (perdido);

  • Contra Marcião (perdido).

FATOS NOTÁVEIS:

  • Estudou filosofia;

  • Era professor leigo intinerante;

  • Resistiu pessoalmente a Marcião;

  • Desenvolveu o conceito teológico do LOGOS SPERMATICO, ou seja: "Jesus dá ao homem a capacidade de aprender a verdade".

  • O encontro com o cristianismo não o fez abandonar sua bagagem de filosofo. Ele considerou que no cristianismo tinha encontrado a “Verdadeira Filosofia”. Esta é a tese de suas apologias;

  • Defendeu o cristianismo com base na profecia, nos milagres e na ética.

  • Foi decapitado em Roma.

TACIANO (110-172).

LUGARES DE MINISTÉRIO: Assíria, Síria e Roma.

ESCRITOS:

  • Diatessaron;

  • Discurso aos Helenos.

FATOS NOTÁVEIS:

  • Discípulo de Justino;

  • Defendeu a prioridade temporal do cristianismo sobre as outras religiões;

  • Produziu a primeira harmonia dos Evangelhos;

  • Caiu posteriormente no gnosticismo;

  • Seus seguidores foram chamados de "encratitas".

ATENÁGORAS (séc.II).

LUGAR DE MINISTÉRIO: Atenas.

ESCRITOS: Apologia da Ressurreição dos Mortos.

FATOS NOTÁVEIS:

  • Era platonista;

  • Escreveu em estilo clássico.

TEÓFILO (181).

LUGAR DE MINISTÉRIO: Antioquia.

ESCRITOS: A Autólico.

FATOS NOTÁVEIS:

  • Foi um severo polemista com os filósofos pagãos;

  • Foi bispo de Antioquia.

MELITO (190).

LUGAR DE MINISTÉRIO: Sardes.

ESCRITOS: Cerca de 20 obras (todas perdidas).

FATOS NOTÁVEIS:

  • Foi bispo de Sardes;

  • Apoiou os da teoria dos quartodecimanos.

  • Produziu a primeira lista cristã dos livros do Antigo Testamento.

HEGESIPO (séc. II).

LUGARES DE MINISTÉRIO: Síria, Grécia e Roma.

ESCRITOS: Memoriais (perdido).

FATOS NOTÁVEIS:

  • Era judeu convertido;

  • Coletou informações sobre a história da Igreja Primitiva para comprovar a pureza e a apostoloicidade dessa igreja;

  • Culpava o judaísmo por todas as heresias.

NOTA: Todos os documentos-textos que estão citados como "perdidos" devem a comprovação de sua existência através de escritos encontrados que citam tais textos perdidos.



Fonte: História da Igreja em Quadros - Ed Vida.

IMAGEM: Gravura de Justino, Martir.

16.9.07

RESUMO DO PRIMEIRO SÉCULO

Os escritos do Novo Testamento são compilados. O Cristianismo se espalha. Dá-se o início das perseguições.

Os ensinos de Jesus são coletados e preservados. Os escritos do Novo Testamento são completados.


Uma nova geração de líderes sucede os apóstolos. Apesar disso, a expectativa de que o Senhor voltará a qualquer momento continua em alta. O fim há de estar perto.


O Evangelho é levado à uma grande parte do mundo conhecido do Império Romano; e até para regiões além deste.


Igrejas locais começam a proliferar nas sinagogas judaicas em todas as partes do império. O Cristianismo é visto, em seus princípios, como parte do Judaísmo.


A Igreja passa por uma forte crise para entender-se a si mesma como sendo uma fé universal, e em como relacionar-se com as suas raízes judaicas.


O Cristianismo começa a emergir do seu ventre judaico. Uma transição-chave toma lugar quando da Revolta dos Judeus contra a autoridade romana no ano 70 D.C.. Os cristãos não tomam parte na revolta e mudam-se para Pella, na Jordânia.


No ano 90 os judeus, reunidos em Jamnia, confirmam o cânon das Escrituras Hebraicas. Os mesmos livros são reconhecidos como autoritativos pelos cristãos.


Perseguições testam a Igreja. O historiador judeu Josefo, em sua obra 'Antiguidades', publicada mais tarde nesse século, parece expressar surpresa pelo fato de os cristãos ainda estarem existindo.


Perseguições-chaves incluem Nero em Roma, que acusa os cristãos pelo incêndio devastador que assolou a cidade no ano 64 D.C.. Ele usa cristãos como tochas humanas para iluminar os seus jardins.


O Imperador Domiciano ordena todos a cultuá-lo como "Senhor e Deus". O Livro de Apocalipse é escrito durante o reinado dele, e os crentes, embora pressionados pelo decreto imperial, não traem a fé expressa no livro que proclama Jesus Cristo como o único digno de ser cultuado.

ANO 100 DC: DUAS GERAÇÕES DEPOIS DE CRISTO

Percentagem de cristãos: 0.6%

Raças na Igreja: Outras: 70%; Branca: 30%;

Evangelização: 28% do mundo

Escrituras: 6 idiomas

Total de mártires desde 33 DC: 25.000 (1.2% do todos os cristãos; 370 por ano)

Fonte: David Barrett

15.9.07

LIVROS DE HISTÓRIA RECOMENDADOS


História Eclesiástica - Os primeiros quatro séculos da Igreja Cristã, de Eusébio de Cesaréia. - CPAD.


A História Eclesiástica de Eusébio é uma surpreendente síntese dos três séculos que se seguiram à era apostólica. Procurou o autor, através de copiosa e idônea documentação, reconstituir a história da Igreja desde o ministério terreno de Nosso Senhor Jesus Cristo até ao Concílio de Nicéia em 325 d.C. É o mais importante relato da Igreja Cristã depois de Atos Apóstolos. Sem a História Eclesiástica de Eusébio seria praticamente impossível reconstituir os três primeiros séculos da Igreja Cristã. É um clássico da história da Igreja.




História da Igreja em Quadros, Conheça melhor a história da igreja cristã por meio de tabelas e diagramas cronológicos e explicativos. de Robert C. Walton - Ed Vida.

Vivemos numa época em que muitas pessoas menosprezam ou desconsideram as lições da história, quer secular, quer sagrada. No entanto, os que assim procedem estão condenados a repetir os mesmos erros outrora cometidos, vivendo no presente sem a valiosa sabedoria do passado.

História da Igreja em Quadros apresenta fatos significativos do passado em quadros explicativos e cronológicos. Este material será um valioso complemento aos compêndios e às preleções sobre história da igreja, respondendo às clássicas perguntas: Quem? Quê? Quando? Onde? e Como?. Também será de grande valor aos cristãos que desejarem um conhecimento sucinto dos principais dados da história eclesiástica. Eis alguns dos assuntos abordados:

- As maiores controvérsias doutrinárias da Igreja;

- Grupos heréticos e dissidentes da época medieval;

- Debates teológicos do período da Reforma;

- O efeito pêndulo na história da Igreja.




História da Igreja Cristã, de Jesse Luman Hurlbut. - Ed Vida.






História do Cristianismo, Dos apóstolos do Senhor Jesus ao século XX , de A. Knight e W. Anglin - CPAD.



Cronologia da História Eclesiástica em Gráficos e Mapas, de Terri Willians - Vida Nova.

Este é um livro diferente. Como qualquer livro de história, está repleto de datas, nomes, fatos. Mas, em vez de dispor desses dados organizados em longos capítulos descritivos ou narrativos, o leitor encontrará em cada página um quadro sinóptico com todas as informações referentes ao período por ele apresentado. Desse modo, facilitam-se sobremaneira a pesquisa histórica, a localização cronológica dos fatos e a visualização das circunstâncias históricas do período observado.



Visão Panorâmica da História da Igreja - Um roteiro para a série história ilustrada do cristianismo. de Justo L. Gonzáles - Ed Vida Nova.

Uma das principais barreiras nas quais tropeçam muitos dos que começam a estudar a história da igreja é a falta de uma visão panorâmica dos fatos. Há quem não saiba nem sequer se as cruzadas aconteceram antes ou depois da Reforma. À medida que entram pelos caminhos da história eclesiástica, sentem-se como que penetra numa caverna, sem saber o que encontrarão logo adiante. Perdidos em circunstâncias assim, torna-se lhes difícil distinguir entre o que é fundamental e o que é secundário, às vezes gastando horas e mais horas decorando nomes e datas de menor importância.

PAIS APOSTÓLICOS (POLICARPO)


NOME: Policarpo (69-160)

MINISTÉRIO: Esmirna.

ESCRITOS: Epístola aos Filipenses.


FATOS MARCANTES:

  • Foi conhecido do apóstolo João.

  • Compilou e preservou as cartas de Inácio.

  • Resistiu apologeticamente a Marcião, chamando-o de "primogênito de Satanás".

  • Foi martirizado sob o governo de Antonino Pio.

  • Ireneu informa que Policarpo escreveu várias cartas. Apenas possuímos a carta aos filipenses. Foi transmitida parcialmente em grego e na totalidade em latim.
  • Combate o docetismo em Fil 7,1 (como Inácio já o fizera), de forma particular a Marcião.
    Apela à unidade: uma única Igreja de caráter universal (“católica”).

  • A notícia do seu martírio suscitou uma grande comoção entre os cristãos e originou o escrito “Martírio de Policarpo”.

Sobre sua infância, família e formação, não temos informações precisas, contudo há documentos históricos sobre ele. Graças a alguns testemunhos fidedignos, podemos reconstruir sua personalidade. Foi discípulo do apóstolo João, amigo e mestre de Irineu, tendo ainda conhecido Inácio, sendo consagrado bispo da igreja de Esmirna. Quanto aos seus escritos, o único que restou desse antigo pai da igreja foi a sua epístola aos filipenses, exortando-os a uma vida virtuosa de boas obras e a permanecerem firmes na fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Seu estilo é informal, com muitas citações do Velho e do Novo Testamentos.

Faz, ainda, 34 citações do apóstolo Paulo, evidenciando que conhecia bem a carta desse apóstolo aos filipenses, entre outras epístolas de Paulo. Há, também, os depoimentos de Eusébio e Irineu, relatando a intimidade de Policarpo com testemunhas oculares do evangelho. Segundo Tertuliano, Policarpo teria sido ordenado bispo pelas mãos do próprio apóstolo João.

Em meados do século I tentou fazer um acordo, em Roma, com o papa Aniceto, sobre o dia da celebração litúrgica da festa da Páscoa (primeira controvérsia quartodecimana). O heresiarca Marcião, ao encontrá-lo, perguntou ao santo se o conhecia. Policarpo respondeu: "Sim, eu te conheço. És o primogênito de Satanás". De acordo com o testemunho de Santo Ireneu, Policarpo escreveu várias epístolas a diversas comunidades e a bispos em particular. A única que nos chegou foi a remetida para a igreja de Filipos.

O Martírio de Policarpo é a mais antiga narrativa de um martírio de que se tem notícia. Não se pode duvidar de sua autenticidade. Em um de seus trechos mais belos, o bispo recebe a ordem de amaldiçoar Jesus Cristo. Policarpo responde: "Há oitenta e seis anos que o sirvo; jamais ele me fez mal algum; como poderei eu blasfemar contra meu Rei e Salvador?" Quando as chamas da fogueira milagrosamente se desviavam do seu corpo, teve de ser morto com uma punhalada.


TRECHO DE ESCRITOS ORIGINAIS:

Por causa disso, cinjam suas cinturas, "sirvam o Senhor no temor" e na verdade, como aquele que tem renunciado ao inútil, as conversas vãs e os erros da multidão, e "acreditado nAquele que ressuscitou nosso Senhor Jesus Cristo da morte, e Lhe deu a glória", e um trono a sua direita. Por Ele todas as coisas no Céu e na Terra estão subordinadas. A Ele todo espírito serve. Ele vem como o Juiz dos viventes e dos mortos. Deus pedirá conta do sangue dEle por aqueles que não acreditam nEle. Mas Aquele que ressuscitou dentre os mortos também nos ressuscitará, se fizermos sua vontade e seguirmos seus mandamentos, e se amarmos o que Ele amou, abstendo-nos de toda injustiça, arrogância, amor ao dinheiro, murmurações, falsos testemunhos, "não pagando mal por mal, injúria por injúria", golpe por golpe, maldição por maldição, mas sendo misericordiosos por causa do que o Senhor disse em seus ensinamentos: "Não julguem para não serem julgados; perdoem e serão perdoados; sejam misericordiosos e alcançarão misericórdia; pois com o que medirem vocês serão medidos"; e uma vez mais: "Abençoados são os pobres, e aqueles que são perseguidos por causa da verdade, pois deles é o Reino de Deus". (Epístola aos Filipenses).


Fonte: ICP;

Imagem: Pintura antiga de Policarpo (fonte: Wikpédia).

PAIS APOSTÓLICOS (PAPIAS)


NOME: Papias de Hierápolis (70-140 ou 60-130)


MINISTÉRIO: Hierápolis


ESCRITOS: Exposição dos Oráculos de Nosso Senhor


FATOS MARCANTES:


  • Era conhecido do apóstolo João.

  • Era pré-milenista em sua escatologia.

  • Afirmava que o Evangelho de Marcos se baseava nas palavras de Pedro.

  • Disse que o Evangelho de Mateus foi escrito primeiro em aramaico.

  • Segundo Ireneu escutou a pregação do apóstolo João (Adv. Haer. V,33,4) e foi amigo de Policarpo

  • Autor da obra desaparecida na sua quase totalidade: “Exegese dos discursos do Senhor”, composta de cinco livros (conservam-se fragmentos em Ireneu e Eusébio). Obra redigida entre 130 e 140

  • Faz referências aos evangelhos de Mateus e Marcos. Não menciona nada sobre os de Lucas e João, nem mesmo sobre as cartas de Paulo

  • O testemunho de Eusébio sobre Pápias é pouco favorável (Milenarismo)

Bispo de Hierápolis, redigiu cinco livros relatando ensinamentos e atos de Jesus e dos que o seguiam (cerca de 130).



Eusébio, em sua História Eclesiástica, chama Pápias de espírito mesquinho, por causa de suas inclinações milenaristas. Da obra de Pápias só restam alguns fragmentos, um dos quais fala da origem dos evangelhos de Mateus e Marcos.


TRECHO DE ESCRITOS ORIGINAIS:


Marcos, intérprete de Pedro, fielmente escreveu - embora de forma desordenada - tudo o que recordava sobre as palavras e atos do Senhor. De fato, ele não tinha escutado o Senhor, nem o seguido. Mas, como já dissemos, mais tarde seguiu a Pedro, que o instruía conforme o necessário, mas não compondo um relato ordenado das sentenças do Senhor. Portanto, Marcos em momento algum errou ao escrever as coisas conforme recordava. Sua preocupação era apenas uma: não omitir nada do que havia ouvido, nem falsificar o que transmitia. - (Relato de Papias sobre Marcos).


Fonte: Veritatis Splendor (http://www.veritatis.com.br)/


História da Igreja em Quadros - Ed Vida.


Imagem: Ícone antigo em baixa resolução da Wikpédia.

12.9.07

OS PAIS APOSTÓLICOS (BARNABÉ)

NOME: Barnabé de Alexandria (Fim do séc. I e iníc. II)

MINISTÉRIO: Alexandria.

ESCRITOS: Epístola de Barnabé.

FATOS MARCANTES:
  • Provavelmente era judeu de Alexandria.
  • Era familiarizado com os métodos alegóricos de Filo.

Encontrada nos manuscritos no século passado, no Sinaítico, por Tischendorf, em 1859, e no Gerusolemitano, por Bryennios, em 1875, esta carta não nos fornece o nome de seu autor, nem a data e o local de composição.

Foi Clemente de Alexandria quem deu origem à tradição que atribui a autoria desta carta a Barnabé, companheiro e colaborador de São Paulo. Em Stromates 5,63,1-6 e no fragmento Hypotyposes mencionado por Eusébio em História Eclesiástica II,1,4, Clemente diz: “A Tiago, o Justo, a João e a Pedro, o Senhor, após sua ressurreição, transmitiu a gnose, estes a transmitiram aos outros apóstolos e os outros apóstolos aos 70, dos quais um era Barnabé”. A identificação desta carta com o colaborador de São Paulo foi adotada, em seguida, por Orígenes e o argumento aduzido se deve a que a carta fora encontrada entre os escritos do Novo Testamento, nos manuscritos Sinaíticos. Este argumento é responsável, também, pela inclusão da carta entre os livros canônicos, inspirados, por parte de Clemente e Orígenes... Contudo, Eusébio e Jerônimo não aceitam este argumento e excluem a carta dentre os livros inspirados.

O ponto de partida para fixação da data da composição desta obra são os capítulos IV e XVI. (...) A carta teria sido escrita durante o período de reconstrução do templo, se pudermos dizer que 16,4 se refere, conforme querem Harnack e Lietzmann, a este fato. Tudo leva a crer que esta é a hipótese mais provável. De fato, evocando Isaías, o autor diz: "Eis que aqueles que destruíram esse templo, eles mesmos o edificarão". E prossegue: "E o que está se realizando, pois, por causa da guerra deles, o templo foi destruído pelos inimigos. E agora os mesmos servos dos inimigos o reconstruirão". Este "é o que está se realizando" e o "agora" dão a impressão de que o autor está bem informado e é contemporâneo aos acontecimentos. Este escrito estaria datado, portanto, em torno dos anos 134-135.

TRECHO DOS ESCRITOS ORIGINAIS:

Como os dias são maus e é aquele que exerce o poder, devemos, para o nosso próprio bem, procurar as decisões do Senhor. Os auxiliares da nossa fé são o temor e a perseverança, e nossos companheiros de luta são a paciência e o autocontrole. Se essas virtudes permanecem puras diante do Senhor, a sabedoria, a inteligência, a ciência e o conhecimento virão regozijar-se com elas. (Introdução do cap. II).

Fonte: Ictis.

Patrologia ou Patrística (Os Pais da Igreja)

O conceito de patrologia foi utilizado pela primeira vez pelo teólogo protestante João Gerhard (1637) como título de sua obra póstuma publicada com o título Patrologia sive de primitivae Ecclesiae Christianae Doctorum vita ac lucubrationibus (Patrologia ou vida e obras dos doutores da Igreja cristã primitiva), no sentido de estudos dos Padres do ponto de vista histórico e literário.

Patrologia trata necessariamente de um ramo da teologia, cujo núcleo essencial são dos Padres da Igreja e seus escritos no sentido eclesial, assim é a ciência que trata a literatura cristã antiga em todos os seus aspectos e com todos os métodos apropriados.

O termo técnico Patrística aplica-se à era dos Padres da Igreja, sua época e suas obras. Patrística é a publicação das obras dos santos Padres; a patrologia faz um estudo destas obras, a fim de identificar e meditar sobre a doutrina pregada e crida na Igreja primitiva.

O título cristão de "pai-padre" aplica-se aos homens que foram considerados pais espirituais dos cristãos. Foram homens que ouviram a pregação dos Apóstolos, foram seus discípulos, por eles instituídos Bispos da Igreja e guardavam de cabeça a doutrina apostólica. Após a morte dos santos apóstolos, eram considerados a única referência segura quanto à sã doutrina, tornando-se os novos Pais espirituais dos cristãos, não só pela pregação mas também porque através do batismo inseriam as pessoas na Igreja.

A Igreja antiga apartir do séc. IV restringiu o título de "Pai" somente aos bispos. No séc. V foi estendido também aos presbíteros (ex: são Jerônimo) e aos diáconos (ex: são Efrém, o Sírio). Até hoje em algumas línguas ainda se conserva o título de "pai-padre" para designar o sacerdote.

O título de "pai da Igreja" apresenta toda a rica figura paterna: o bispo como autêntico transmissor da sã doutrina, aquele que vela pela sucessão ininterrupta da fé desde os apóstolos bem como pela continuidade e unidade da fé na comunhão da Santa Igreja. A autoridade do pai da Igreja não torna individualmente inerrante em todos os pormenores - devendo ser fiel à Sagrada Escritura. (...)

A partir do séc. IV, os bispos que se destacaram particularmente na transmissão, na exposição e defesa da sã doutrina (ex.: os padres do concílio de Nicéia, 325 d.C.) receberam o título de "Padres da Igreja" ou "Santos Padres". A fé transmitida pelos santos padres gozava de imensa credibilidade e foi base para a teologia da Igreja.

Fonte: Texto baseado num artigo de Alessandro R. Lima sobre A Doutrina dos Santos Padres da Igreja.

OS PAIS APOSTÓLICOS (HERMAS)


NOME: Hermas (Final do séc. I e iníc. do II)


MINISTÉRIO: Roma


ESCRITOS: O Pastor


FATOS MARCANTES:



  • Contemporâneo de Clemente.

  • Escreveu sobre visões e parábolas.

  • Talvez tenha sido escravo.

  • Provavelmente era judeu.

Autor de "O Pastor", um livro escrito entre 88 e 97 d.C. em Patmos, perto de Éfeso. Padre da Igreja. Tal como o "Evangelho de Barnabé", este seu livro defendia, a nível formal, isto é, de linguagem - numa altura em que o aparato terminológico à disposição dos primeiros escritores cristãos era ainda insuficiente para expressar condignamente o Deus revelado por e em Jesus Cristo - a Unidade Divina, defendendo que o cristianismo era indubitavelmente uma religião monoteísta.


Segundo parece, Hermas escreveu "O Pastor", por volta da mesma ocasião em que João Evangelista estava a redigir seu evangelho, embora alguns historiadores defendam que este tenha sido escrito posteriormente. No entanto não há opiniões divergentes no que diz respeito ao fato de Hermas não ter conhecido nenhum dos quatro Evangelhos incluídos no Novo Testamento. Alguns acreditam que Hermas se inspirou no "Evangelho segundo os Hebreus".


O Pastor" foi aceito e profusamente usado pelos seguidores iniciais de Jesus, que consideravam Hermas como um profeta. Perto do final do século II d.C. ele era mesmo aceito como parte do Novo Testamento por Clemente de Alexandria; Orígenes também o aceitou como um livro sagrado e por isso foi incluído no fim do "Codex Sinaiticus", em uso nos meados do século IV d.C. Tertuliano aceitou-o no início, mas depois veio a repudia-lo quando se tornou Montanista.

Esta obra foi escrita em meados do segundo século por Hermas, entre 142 e 155 d.C.

Foi um dos escritos mais considerados da antiguidade cristã; por muito tempo, tida como inspirada, inclusive alguns a colocavam no Cânon do NT. As frequentes referências que se encontram dela em várias obras do período patrístico, demonstram a alta estima em que era tida. A obra era muito usada no cristianismo primitivo para instruir aqueles que acabavam de entrar na Igreja e queriam ser instruídos na piedade, como podemos comprovar no início do século IV no testemunho de Eusébio (HE, III,3:6).

Após larga difusão, especialmente, no Oriente, nas Igrejas gregas, inspirado para uns, apenas útil para todos e até mesmo recusado por outros, o Pastor foi, definitivamente, colocado entre os apócrifos após o Concílio Ecumênico de Hipona em 393, onde a Igreja definiu o catálogo bíblico.

Trata-se de uma obra longa, com 114 capítulos dispostos em 3 partes: 5 visões, 12 mandamentos e 10 Parábolas.

A preocupação central de Hermas não é doutrinário-dogmática, mas moral. Seu argumento principal é a necessidade de penitência indo ao encontro da misericórida divina. O leitor notará que o conceito de penitência, isto é, meios de santificação do homem, corresponde aos Sacramentos da Igreja. A Eclesiologia em Hermas, domina a idéia de que a Igreja é uma instituição necessária para a salvação. Quanto a Cristo, Hermas não emprega nenhuma vez, ao longo de sua obra, os termos Jesus Cristo, ou Logos. Chama-o de Salvador, Filho de Deus e Senhor. A Cristologia de Hermas suscitou dificuldades, pois segundo sua obra, há duas pessoas em Deus: Deus Pai e Deus-Espírito-Filho.

TRECHO DOS ESCRITOS ORIGINAIS:

Depois de quinze dias de jejum e muitas orações ao Senhor, foi-me revelado o sentido do texto. Estava escrito o seguinte: Hermas, teus filhos se revoltaram contra Deus, blasfemaram o Senhor, traíram seus pais com muita maldade e tiveram de ouvir o nome de traidores de seus pais. Sua traição de nada lhes aproveitou e ainda continuaram acrescentando aos seus pecados a impureza e as contaminações da maldade e, desse modo, suas iniqüidades chegaram ao máximo. Transmite essas palavras a todos os teus filhos e à tua esposa, que doravante deve ser como tua irmã. Ela não domina a língua com a qual pratica o mal, porém, ouvindo essas palavras ela a dominará e alcançará misericórdia. Depois que tiveres dado a conhecer essas palavras que o Senhor me ordenou revelar-te, todos os pecados passados serão perdoados a eles, bem como a todos os santos que pecaram até hoje, se fizerem penitência de todo o coração e se afastarem de seus corações as dúvidas. O Senhor jurou por sua glória e respeito de seus eleitos: se depois deste dia, fixado como limite, ainda se cometer um só pecado, eles não obterão a salvação, pois a penitência para os justos tem limite. Terminaram os dias de penitência para todos os santos. Contudo para os pagãos, a penitência pode ser feita até o último dia. Dize, portanto, aos chefes da Igreja que endireitem seus caminhos na justiça, a fim de receberem plenamente, com grande glória, o que lhes foi prometido. Perseverai portanto, vós que praticais a justiça, e não duvideis, para que o vosso caminho esteja com os santos anjos. Felizes sois vós que suportais a grande tribulação que se aproxima, e todos os que não renegarem a sua própria vida. Porque o Senhor jurou por seu Filho: aqueles que renegarem o seu Senhor, perderão sua própria vida, como também aqueles que estão dispostos a renegá-lo nos dias futuros. Quanto àqueles que o renegaram antes, o Senhor, em sua grande misericórdia, tornou-se propício para eles. (Cap 6 - Segunda Visão).


Fonte:

Wikipédia

Presbíteros.com

Imagem: Ícone antigo das visões das narrativas do Pastor de Hermas.

11.9.07

OS PAIS APOSTÓLICOS (INÁCIO)

NOME: Inácio de Antioquia (??-117)


MINISTÉRIO: Antioquia

ESCRITOS:
  • Aos Efésios

  • Aos Magnésios

  • Aos Trálios

  • Aos Romanos

  • Aos de Filadélfia

  • Aos de Esmirnia

  • A Policarpo

FATOS MARCANTES:

  • Suas cartas foram escritas a caminho do martírio em Roma - destino que enfrentou com coragem e alegria de um verdadeiro mártir.

  • Foi o primeiro a fazer distinção entre bispos e anciãos.

  • Opôs-se às heresias gnósticas.

  • Martirizado no governo de Trajano.


Conforme seu nome sugere, Inácio era um homem nascido do fogo, ardente, apaixonado por Cristo. Segundo Eusébio, após a morte de Evódio, que teria sido o primeiro bispo de Antioquia, Inácio fora nomeado o segundo bispo dessa influente cidade.

Inácio escreveu algumas epístolas às comunidades cristãs asiáticas: à igreja de Éfeso, às igrejas de Magnésia, situada no Meander, à igreja de Trales, às igrejas de Filadélfia e Esmirna e, por fim, à igreja de Roma. O objetivo da carta a Roma era solicitar que os irmãos não impedissem seu martírio, o que aconteceria durante o reinado de Trajano (98-117).

Mesmo sendo de Antioquia, seu nome, Ignacius, deriva-se do latim: igne: “fogo”, e natus: “nascido”.
TRECHO DE ESCRITOS ORIGINAIS (comentado):
Inácio revela-se conhecedor das processões divinas em Deus, ao reconhecer no Cristo a processão intelectiva de Deus: "De fato, Jesus Cristo, nossa vida inseparável, é o pensamento do Pai" (Epístola aos Efésios 3,2), o que seria mais tarde explicado à luz da filosofia por Tomás de Aquino, em sua obra Suma Teológica.
É interessante constatar como as comunidades cristãs no século I tinham um conhecimento aprofundado da natureza de Deus, Jesus Cristo é: “gerado e não gerado, Deus feito carne” (Epístola aos Efésios 7,2). Gerado e não gerado (ingênito).
Com este testemunho, Inácio trouxe para a construção do Dogma, pedras sólidas que ajudaram o Concílio de Nicéia (325 d.C.) a fixar no Credo o "genitum non factum", isto é, gerado e não criado. Embora Inácio ainda não tivesse esta precisão, Atanásio que colaborou na elaboração do vocábulo, reconheceu a perfeita ortodoxia no texto desta carta.


Fontes:
Instituto Cristão de Pesquisas
Wikpédia
História da Igreja em Quadros - Ed. vida.
Imagem: Ilustração Católica Romana antiga de Inácio de Antioquia & ilustr. do seu martírio.

OS PAIS APOSTÓLICOS (CLEMENTE)

O nome “pais apostólicos” tem sua origem na Igreja do Ocidente do século II. São chamados de “pais apostólicos” os homens que tiveram contato direto com os apóstolos ou, então, foram citados por alguns deles. Destacam-se entre os indivíduos que regularmente recebem esse título, Clemente de Roma, Inácio e Policarpo, principalmente este último, pois existem evidências precisas de que ele teve contato direto com os apóstolos.



NOME: Clemente de Roma (30-100)


MINISTÉRIO: Roma


ESCRITOS: IClemente


FATOS MARCANTES:


  • Considerado pela ICR o quarto papa.

  • Possível menção a ele em Filipenses 4.3.

  • Martirizado sob o governo de Domiciano.

  • Sua carta ressalta a sucessão apostólica.


Várias hipóteses já foram levantadas sobre Clemente para identificá-lo. Para alguns, ele pertencia à família real. Para outros, ele era colaborador do apóstolo Paulo. Outros ainda sugeriram que ele escreveu a carta aos Hebreus. Em verdade, as informações a respeito de Clemente de Roma vão desde lendárias a testemunhas fidedignas. Alguns pais, como Orígenes, Eusébio de Cesaréia, Jerônimo, Irineu de Lião, entre outros, aceitaram como verdadeira a identificação de Clemente de Roma como colaborador do apóstolo Paulo.


A principal obra de Clemente de Roma é uma carta redigida em grego, endereçada aos crentes da cidade de Corinto, mais ou menos no final do reinado de Domiciano (81-96) ou no começo do reino de Nerva (96-98). A epístola trata, principalmente, da ordem e da paz na Igreja. Seu conteúdo traz à tona o fato de os crentes formarem um corpo em Cristo, logo deve reinar nesse corpo a unidade, e não a desordem, pois Deus deseja a ordem em suas alianças. Traz, ainda, a analogia da adoração ordeira do Antigo Israel e do princípio apostólico de apontar uma continuidade de homens de boa reputação.
TRECHO DOS ESCRITOS ORIGINAIS:
Por causa das desgraças e calamidades que repentina e continuamente se abateram sobre nós, talvez estejamos a tratar tardiamente dos acontecimentos que se deram entre vós, meus caros, e daquele motim, não conveniente a eleitos de Deus, iniciado por algumas pessoas irrefletidas e audaciosas, de uma forma sórdida e ímpia, surgido de tal ponto de loucura, que o vosso nome, dantes estimado, acatado e celebrado por todos, fosse seriamente denigrido.
Ora, quem é que esteve entre vós e não elogiou vossa fé extraordinária e firme? Quem não admirou vossa piedade consciente e suave em Cristo? Quem não louvou a tradição da vossa hospitalidade generosa? Ou quem não vos felicitou por vossa doutrina perfeita e segura?
Fazíeis tudo sem distiguir as pessoas e andáveis dentro dos preceitos de Deus, sujeitando-vos aos vossos guias e respeitando devidamente os vossos anciãos. Aos jovens, transmitíeis conceitos prudentes e honrosos; às mulheres, recomendáveis para que cumprissem todos os seus deveres com consciência irrepreensível, de forma santa e pura, amando convenientemente seus maridos; e ainda as ensináveis a administrar a vida doméstica dentro das normas de obediência e da mais absoluta discrição.
(Cap I da 1 Carta de Clemente aos Corintos).
Fontes:
Instituto Cristão de Pesquisa
Presbíteros.com
História da Igreja em Quadros - Ed Vida
Imagem: Ilustração antiga de Clemente de Roma criada pela Igreja Católica Romana.

Antigos Símbolos do Cristianismo







ALFA-ÔMEGA - Símbolo da eternidade de Cristo.















ÂNCORA - Símbolo de Fé e Segurança da Salvação.







Ceia do Senhor - A morte de Cristo e a Comunhão.








CHI-RÔ - Primeira duas letras de "Cristo" em grego.















CRUZ - Morte de Cristo.









PEIXE - Iniciais da frase grega que se traduz por "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador". Juntas, essas iniciais formam a palavra grega ICHTHUS, que significa "peixe".











CORDEIRO - A abnegação sacrificial de Cristo.










PASTOR - O cuidado de Cristo por Seu povo.








NAVIO - A Igreja.














VIDEIRA - União de Cristo com Seu povo.

ALGUNS LUGARES DAS MISSÕES PAULINAS

Antiga Estrada Pavimentada Romana
(caminho para Filipos e Tessalônica)
Atos 16:12 - e dali, a Filipos, cidade da Macedônia,
primeira do distrito e colônia.
Nesta cidade, permanecemos alguns dias.
Atos 17:1 - Tendo passado por Anfípolis e Apolônia,
chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus.


Ruínas de Sinagoga em Território Grego
(tipo de local predileto de Paulo para pregar).
Atos 18:4 - E todos os sábados discorria na sinagoga,
persuadindo tanto judeus como gregos.


Samotrácia, Santuário Grego
Atos 16:11 - Tendo, pois, navegado de Trôade,
seguimos em direitura a Samotrácia,
no dia seguinte, a Neápolis


Região da Galácia
Atos 18:23 - Havendo passado ali algum tempo, saiu,
atravessando sucessivamente a região da Galácia e Frígia,
confirmando todos os discípulos.


Corinto
Atos 18:1 - Depois disto, deixando Paulo Atenas, partiu para Corinto.

Éfeso, Ruínas
Atos 18:19 - Chegados a Éfeso, deixou-os ali;
ele, porém, entrando na sinagoga, pregava aos judeus.


Éfeso, Biblioteca
Atos 19:26 - e estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso,
mas em quase toda a Ásia,
este Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente,
afirmando não serem deuses os que são feitos por mãos humanas.


Éfeso
Atos 19:35 - O escrivão da cidade, tendo apaziguado o povo, disse:
Senhores, efésios: quem, porventura, não sabe
que a cidade de Éfeso é a guardiã do templo da grande Diana
e da imagem que caiu de Júpiter?


Ruínas do Templo de Diana, Éfeso
(sítio arqueológico do templo original)


Éfeso, Teatro Romano
1 Timóteo 1:3 - Quando eu estava de viagem,
rumo da Macedônia,
te roguei permanecesses ainda em Éfeso
para admoestares a certas pessoas,
a fim de que não ensinem outra doutrina,



Santuário Grego
Atos 17.16 - Enquanto Paulo os esperava em Atenas,
o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade.


Atenas
Atos 18:1 Depois disto, deixando Paulo Atenas, partiu para Corinto.


Pisídia, Antioquia
Atos 13:14 - Mas eles, atravessando de Perge para a Antioquia da Pisídia,
indo num sábado à sinagoga, assentaram-se.


Ruínas Helenísticas Psidia, Antioquia, muros e torres.
Atos 11:27 - Naqueles dias, desceram alguns profetas de Jerusalém para Antioquia,


Antioquia
Atos 11:26 - tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia.
E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja
e ensinaram numerosa multidão.
Em Antioquia, foram os discípulos,
pela primeira vez, chamados cristãos.


Ruínas de uma Prisão em Filipos
1 Ts 2:2 - mas, apesar de maltratados e ultrajados em Filipos,
como é do vosso conhecimento,
tivemos ousada confiança em nosso Deus,
para vos anunciar o evangelho de Deus, em meio a muita luta.


Área Central Pública em Filipos
Atos 16:12 - e dali, a Filipos, cidade da Macedônia,
primeira do distrito e colônia.
Nesta cidade, permanecemos alguns dias.


Praça Principal em Filipos
Atos 16.19 - Vendo os seus senhores que se lhes desfizera a esperança do lucro,
agarrando em Paulo e Silas, os arrastaram para a praça,
à presença das autoridades;
e, levando-os aos pretores, disseram:
Estes homens, sendo judeus, perturbam a nossa cidade.

Paulo, Prisioneiro de Cristo Jesus


Os cristãos de Jerusalém ficaram felizes ao ouvir o relatório de Paulo sobre a divulgação da fé cristã. Contudo, alguns cristãos judeus duvidaram da sinceridade de Paulo. Para mostrar seu respeito pela tradição judaica, Paulo juntou-se a quatro homens que cumpriam um voto de nazireu no templo. Alguns judeus da Ásia agarraram Paulo e falsamente o acusaram de introduzir gentios no templo (At 21:27-29). O tribuno da guarnição romana levou Paulo em custódia para impedir um levante. Ao saber que Paulo era cidadão romano, o tribuno retirou-lhe as cadeias e pediu aos judeus que convocassem o Sinédrio para interrogá-lo.

Paulo percebeu que a multidão enfurecida poderia matá-lo. Assim, ele disse ao Sinédrio que fora preso por ser fariseu e crer na ressurreição dos mortos. Esta afirmação dividiu o Sinédrio em suas facções de fariseus e saduceus, e o comandante romano teve de salvar Paulo de novo.

Ouvindo dizer que os judeus tramavam uma emboscada contra Paulo, o comandante enviou-o de noite a Cesaréia, onde ficou guardado no palácio de Herodes. Paulo passou dois anos presos aí.

Quando os acusadores de Paulo chegaram, acusaram-no de haver tentado profanar o templo e de ter criado uma revolta civil em Jerusalém (At 24:1-9). Félix, procurador romano, exigiu mais provas do tribuno em Jerusalém. Mas antes que estas chegassem, Félix foi substituído por um novo procurador, Pórcio Festo. Este novo oficial pediu aos acusadores de Paulo que viessem de novo a Cesaréia. Ao chegarem, Paulo fez valer os seus direitos como cidadão romano de apresentar seu caso perante César.

Enquanto aguardava o navio para Roma, Paulo teve oportunidáde de defender a sua causa perante o rei Agripa II que visitava Festo. O capítulo 26 de Atos registra o discurso de Paulo no qual ele contou de novo os eventos de sua vida até aquele ponto.

Festo entregou Paulo aos cuidados de um centurião chamado Júlio, que estava levando um navio carregado de prisioneiros para a cidade imperial. Após uma viagem acidentada, o navio naufragou na ilha de Malta. Três meses depois, Paulo e os demais prisioneiros tomaram outro navio para Roma.

Os cristãos de Roma viajaram quase cinqüenta quilômetros para dar as boas-vindas a Paulo (At 28:15). Em Roma Paulo foi posto sob prisão domiciliar, e em At 28:30 lemos que ele alugou uma casa por dois anos enquanto aguardava que César ouvisse o seu caso.

O Novo Testamento não nos fala da morte de Paulo. Muitos estudiosos modernos crêem que César libertou o apóstolo, e que ele empenhou-se em mais trabalho missionário antes de ser preso pela segunda vez e executado.3

Dois livros escritos antes do ano 200 d.C. — a Primeira Epístola de Clemente e os Atos de Paulo — asseveram que isso aconteceu. Indicam que Paulo foi decapitado em Roma perto do fim do reinado do imperador Nero (c. 67 d.C.).


Fonte: O Mundo do Novo Testamento - Ed Vida Nova.
Imagem: Mosaico antigo de Ravenne, retratando Paulo.

Última Viagem Missionária de Paulo

Após uma curta permanência em Antioquia, Paulo partiu em sua terceira viagem missionária no ano 52 d.C. Desta vez suas primeiras paradas foram na Galácia e na Frígia. Depois de visitar as igrejas em Derbe, Listra, Icônio e Antioquia, ele resolveu fazer algum trabalho missionário intensivo em Éfeso, a capital da província romana da Ásia. Estrategicamente localizada para comércio, era superada somente por Roma, Alexandria e Antioquia em tamanho e importância. Como resultado dos trabalhos de Paulo ali, ela tornou-se a terceira mais importante cidade na história do Cristianismo primitivo — Jerusalém, Antioquia, depois Éfeso.

Paulo chegou a Éfeso para empreender o que provou ser as mais extensas e exitosas de suas atividades missionárias em qualquer localidade. Mas esses anos lhe foram estrênuos. Visto que ele sustentava a si próprio trabalhando em sua profissão, seus dias eram longos. Seguindo o costume dos trabalhadores de um clima tão quente, ele levantava-se antes de raiar o dia e começava a trabalhar. As horas da tarde ele as empregava no ensino e pregação, e é provável que também as horas vespertinas. Isto ele fez “diariamente” durante “dois anos”. Em sua própria descrição desses trabalhos, Paulo acrescenta que ele não só ensinava em público, mas “também de casa em casa” (At 20:20). Teve êxito — muito bom êxito. Somos informados de “milagres extraordinários” (At 19:11) ocorridos durante esses dias agitados em Éfeso. A nova fé causou tal impacto sobre a cidade que “muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos” (At 19:19). Isso suscitou o ódio dos adoradores pagãos, temerosos de que os cristãos solapassem a influência de sua religião.

Depois de três invernos em Éfeso, Paulo passou o seguinte em Corinto, em concordância com a promessa e a esperança expressas em 1 Co 16:5-7. Ali Paulo fez outros preparativos para uma visita a Roma. Escreveu uma carta, dizendo aos cristãos de Roma: “Muito desejo ver-vos, . . . muitas vezes me propus ir ter convosco” (Rm 1:11, 13), e “penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha” (Rm 15:24).


Paulo ignorou as advertências sobre os perigos que o ameaçavam se ele aparecesse de novo em Jerusalém. Ele achava que era decisivo voltar em pessoa, como portador da oferta das congregações gentias. Ele estava “pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém, pelo nome do Senhor Jesus” (At 21:13). De modo que Paulo foi de novo a Jerusalém, e Lucas escreve que “os irmãos nos receberam com alegria” (At 21:17). Mas espreitando nas sombras estava uma comissão de recepção com intenções diferentes.

Fonte: O Mundo do Novo Testamento
Imagens: Mapas das viagens missionárias de Paulo - Bíblia de Estudo de Genebra.

10.9.07

Paulo Passa à Macedônia


Quando o grupo de evangelistas (dirigido de algum modo não especificado pelo Espírito Santo — At 16:6-8) chegou a Trôade e se pôs a contemplar o outro lado da estreita península, deve ter ponderado sobre a perspectiva de avançar sua campanha ao continente europeu. A decisão foi tomada quando “à noite, sobreveio a Paulo uma visão, na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At 16:9). A resposta de Paulo foi imediata. O grupo navegou para a Europa. Muitos escritores têm sugerido que esse “varão macedônio” pode ter sido o médico Lucas. De qualquer maneira, parece que neste ponto ele entrou no drama de viagem, porque agora ele começa a referir-se aos missionários como “nós”.

A viagem continuou ao longo da grande estrada romana que corre para o Ocidente através das principais cidades da Macedônia — desde Filipos até Tessalônica, e de Tessalônica a Beréia. Durante três semanas, Paulo falou na sinagoga de Tessalônica; depois foi para Atenas, centro da erudição grega, e cidade onde dominava a idolatria (At 17:16). Incansável, ele partiu para Corinto.

Sua primeira e grande missão no mundo gentio estendeu-se por quase três anos. Depois ele voltou a Antioquia.

Fonte: O Mundo do Novo Testamento

Controvérsia Entre Paulo e Pedro

Após a conferência de Jerusalém, Paulo e Barnabé “demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando,.. . a palavra do Senhor” (Atos 15:35). Aqui, dois incidentes causaram severas tensões às relações de trabalho de Paulo com Pedro e Barnabé.

O primeiro desses incidentes surgiu dos mesmos problemas que provocaram a conferência de Jerusalém. A conferência havia liberado os gentios do regulamento judaico da circuncisão. Contudo, não havia decidido se os cristãos de origem judaica poderiam comer com os convertidos gentios. Pedro tomou posição ao lado de Paulo nessa praxe, o que envolvia relaxar os regulamentos dos judeus com vistas a alimentos. Na realidade, Pedro deu o exemplo comendo com gentios. Mais tarde, porém, ele “afastou-se e, por fim, veio a apartar-se” (Gl 2:12), e Barnabé se deixou levar “pela dissimulação deles” (v. 13).

Paulo, considerando esses atos como nova ameaça à sua missão entre os gentios, recorreu a uma medida drástica. “Resisti-lhe [a Pedro] face a face, porque se tornara repreensível” (Gálatas 2:11). Ele fez isso “na presença de todos” (v. 14). Em outras palavras, ele recorreu à censura pública.

Esse incidente ajuda-nos a entender o segundo, que Lucas registra em Atos 15:36-40. Barnabé desejava que o jovem Marcos os acompanhasse na segunda viagem missionária; Paulo opôs-se à idéia. E a narrativa diz que “houve entre eles tal desavença que vieram a separar-se” (v. 39).

Não sabemos se Paulo e Barnabé voltaram a encontrar-se. Eles concordaram em discordar e empreenderam viagens, cada um para seu lado. Sem dúvida o evangelho foi desse modo promovido mais do que se tivessem permanecido juntos.

Então “Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu. . . E passou pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas” (Atos 15:40, 41). Depois de nova visita a Derbe, o último ponto visitado na primeira viagem, Paulo e seu grupo prosseguiram até Listra para ver seus convertidos nesta cidade. Aqui Paulo encontrou um jovem cristão chamado Timóteo (Atos 16:1), e viu nele um substituto potencial para Marcos.

O que aconteceu aqui redimiu Paulo de qualquer acusação de não se mostrar disposto a depositar confiança em homens mais moços do que ele. Em 1 Tm 1:2 dirigiu-se ao jovem Timóteo “verdadeiro filho”, e na segunda epístola fala dele como “amado filho” (2 Tm 1:2). Na segunda epístola lemos também: “pela recordação que guardo da tua fé, a mesma que primeiramente habitou em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também em ti” (2 Tm 1:5). Esta referência pode significar que a família de Timóteo fora ganha para Cristo por Paulo e Barnabé na sua primeira viagem. Por certo, quando Paulo voltou, ele quis que Timóteo “fosse em sua companhia” (At 16:3). Este mesmo versículo acrescenta que Paulo “circuncidou-o por causa dos judeus”. Era esta atitude coerente com o julgamento anterior de Paulo sobre Pedro? Ou se devia ao fato de ter ele aprendido a não criar problemas desnecessários? De qualquer modo, uma vez que Timóteo era meio-judeu, esta decisão evitaria problemas muitas vezes. Paulo sabia como lutar por um principio e como ceder por conveniência quando não estava em jogo nenhum princípio. Paulo sustentava que a circuncisão não era necessária à salvação (cf. Gálatas), mas estava pronto para circuncidar um judeu cristão como uma questão de conveniência.

Fonte: O Mundo do Novo Testamento